O maior túnel rodoviário do Brasil está previsto para a Serra do Mar, em São Paulo, dentro da nova faixa da Rodovia dos Imigrantes. O projeto desenvolvido pela Ecovias Imigrantes prevê mais de 6 km em um único túnel, investimento estimado em R$ 8 bilhões e ligação estratégica entre o planalto, o litoral e o Porto de Santos.
As informações foram publicadas pelo ND Mais em 13 de julho de 2026. Segundo a publicação, a obra terá 21,65 km de extensão, com 17,3 km subterrâneos, e busca ampliar a capacidade do Sistema Anchieta-Imigrantes com menor impacto sobre a Mata Atlântica.
Projeto mira a Serra do Mar
A nova faixa da Rodovia dos Imigrantes foi planejada para atravessar a Serra do Mar com forte presença de trechos subterrâneos. A proposta concentra cerca de 80% do trajeto em túneis, reduzindo a necessidade de grandes cortes no terreno.
Esse desenho chama atenção porque a Serra do Mar é uma área sensível do ponto de vista ambiental e logístico. Ao levar boa parte da rodovia para baixo do solo, o projeto tenta combinar expansão viária com menor interferência direta na vegetação nativa.
Túnel terá mais de 6 km
Um dos túneis previstos terá mais de 6 km de extensão e deve se tornar o maior túnel rodoviário do Brasil. A estrutura faz parte de um conjunto maior, com cinco túneis e 11 obras especiais, como pontes e viadutos.
A extensão coloca o projeto em escala rara para a infraestrutura rodoviária nacional. Em vez de uma ampliação simples de pista, a proposta envolve engenharia pesada, licenciamento ambiental, estudos técnicos e integração com um dos corredores logísticos mais importantes do país.
Obra terá investimento de R$ 8 bilhões
O investimento estimado é de R$ 8 bilhões, segundo a publicação. O valor está associado à complexidade da travessia, ao grande volume de estruturas subterrâneas e à necessidade de reduzir impactos em uma região ambientalmente sensível.
Projetos desse porte exigem planejamento longo porque envolvem sondagens, soluções geotécnicas, ventilação, segurança, drenagem, acessos, contenções e monitoramento. Um túnel rodoviário desse tamanho não é apenas uma passagem: é um sistema completo de engenharia.
Trajeto terá 21,65 km de extensão
A nova faixa terá 21,65 km de extensão total. Desse volume, 17,3 km serão subterrâneos, o que reforça a prioridade dada à solução em túneis na travessia da Serra do Mar.
Essa proporção é um dos pontos mais marcantes do projeto. Ao concentrar grande parte do percurso abaixo do solo, a obra tenta evitar a abertura de grandes áreas na serra. A escolha muda a lógica da expansão, tirando o impacto visual e físico de boa parte da superfície.
Mata Atlântica aparece como ponto central
A proposta foi apresentada como uma forma de ampliar a capacidade do Sistema Anchieta-Imigrantes e, ao mesmo tempo, limitar a supressão de vegetação. A concessionária afirma que a diretriz principal é reduzir intervenções na Mata Atlântica.
Além dos túneis, o projeto deve aproveitar estradas de serviço já existentes, o que diminui a necessidade de novas frentes de abertura no ambiente. Esse detalhe é importante porque infraestrutura em área de serra costuma gerar debate sobre preservação, mobilidade e custo ambiental.
Licenciamento ambiental está em andamento
A viabilidade ambiental já foi reconhecida pelos órgãos responsáveis, com emissão da Licença Prévia. A Ecovias apresentou à Cetesb o EIA-RIMA, conjunto formado pelo Estudo de Impacto Ambiental e pelo Relatório de Impacto Ambiental.
O material reúne 22 programas ambientais, segundo a publicação. Entre eles estão ações de controle de erosão, gestão de resíduos, monitoramento de fauna e flora e avaliação da qualidade da água. A obra ainda depende de etapas técnicas antes de sair do papel.
Programas ambientais acompanham a proposta
Além das medidas já citadas, também estão previstas ações de controle de ruídos, emissões atmosféricas e recuperação ambiental. O projeto inclui ainda comunicação social, capacitação de equipes e plantio compensatório.
Esses programas não eliminam todos os impactos, mas criam uma estrutura de acompanhamento e mitigação. Em obras rodoviárias de grande porte, especialmente em regiões de serra, o licenciamento funciona como filtro técnico para avaliar riscos, ajustes e obrigações ambientais.
Cronograma ainda depende de etapas finais
Os projetos funcional e básico foram concluídos em 2025. O projeto executivo deve ser finalizado nas próximas semanas, conforme informado pela concessionária ao ND Mais, e depois será submetido à certificação.
Essa fase pode gerar ajustes técnicos antes da definição final. A previsão é encerrar todas as etapas até o fim do segundo semestre de 2026. Só depois disso devem ser definidos materiais, técnicas de construção e início das obras.
Capacidade para caminhões e ônibus pode subir
A ampliação responde ao crescimento do tráfego no sistema. Entre 2010 e 2025, o volume médio diário passou de 98,5 mil para mais de 123 mil veículos, segundo os dados apresentados na publicação.
Com a nova pista, a expectativa é aumentar em até 145% a capacidade para caminhões e ônibus na travessia da serra. Esse número mostra que o projeto não mira apenas carros de passeio, mas principalmente o fluxo pesado que liga indústria, litoral e porto.
Sistema total deve crescer cerca de 25%
Além do ganho específico para caminhões e ônibus, a capacidade total do sistema deve crescer cerca de 25%. A expansão busca reduzir congestionamentos frequentes nos acessos ao litoral e melhorar a fluidez na ligação entre regiões estratégicas.
O maior túnel rodoviário do Brasil aparece, portanto, como peça de uma reorganização mais ampla do Sistema Anchieta-Imigrantes. O objetivo declarado é ampliar a circulação sem repetir o modelo de grandes cortes abertos na encosta.
Porto de Santos entra no centro da conta
A ligação com o Porto de Santos é um dos fatores que aumentam a importância da obra. O porto é tratado como principal corredor logístico do país e depende de acessos eficientes para receber e escoar cargas.
Qualquer melhoria na travessia entre planalto e litoral pode impactar caminhões, ônibus, empresas, passageiros e a economia regional. Quando o gargalo está em uma serra, cada aumento de capacidade pode influenciar toda a cadeia logística.
Obra promete reduzir gargalos antigos
A Serra do Mar concentra um desafio recorrente: ligar a região metropolitana e o planalto paulista ao litoral sem criar retenções prolongadas, riscos operacionais e impactos ambientais excessivos. A nova faixa tenta responder a esse problema com uma solução subterrânea.
O projeto também revela como a infraestrutura brasileira passou a buscar alternativas mais complexas para áreas sensíveis. Em vez de apenas alargar pistas, a proposta aposta em túneis longos, estruturas especiais e planejamento ambiental.
Túnel reacende debate sobre custo e impacto
O maior túnel rodoviário do Brasil deve colocar São Paulo no centro de uma discussão sobre mobilidade, logística e preservação ambiental. A obra promete ampliar capacidade, reduzir gargalos e proteger trechos da Serra do Mar, mas também envolve investimento bilionário e execução complexa.
Fonte: Click Petróleo e Gás

