Um estudo publicado em 6 de outubro de 2026 mostrou que resíduos podem reduzir a densidade do concreto, mas também diminuem sua resistência à compressão. Entre os materiais testados, o agregado de concreto reciclado apresentou o melhor equilíbrio para possíveis aplicações não estruturais.
A pesquisa de Shohana Iffat, do Farmingdale State College, nos Estados Unidos, saiu na revista Discover Civil Engineering, da Springer Nature. Foram comparadas cinco misturas: convencional, com plástico, com isopor e com substituição de 50% ou 100% dos agregados naturais por concreto reciclado.
Resultados após 28 dias
Segundo o estudo original, três corpos de prova de cada mistura foram avaliados após 28 dias. O concreto convencional atingiu 35,11 MPa de resistência e densidade de 2.374,42 kg/m³.
Com 50% de agregado reciclado, os valores foram 23,72 MPa e 2.205,66 kg/m³. Na substituição total, chegaram a 19,21 MPa e 2.065,46 kg/m³.
O plástico resultou em 15,50 MPa. O isopor registrou 12,01 MPa e a maior redução de densidade, aproximadamente 17%. A durabilidade ainda precisa ser investigada. A amostra experimental pequena e a cura fora das condições padronizadas limitam as conclusões.
Por que o material reciclado exige cuidado
Uma revisão de Arnab Mandal e Amit Shiuly, publicada em fevereiro de 2025 e citada pela pesquisa, ajuda a contextualizar esses resultados. O trabalho reúne estudos sobre propriedades físicas, químicas e mecânicas de agregados provenientes de demolições.
Conforme essa revisão, o desempenho varia com a composição dos resíduos, sua origem e os métodos de reciclagem. Também depende do cimento, dos aditivos, dos procedimentos de cura e das condições utilizadas nos ensaios.
A argamassa que permanece aderida aos fragmentos reciclados influencia a densidade. Como esse material costuma ser menos denso que o agregado original, sua presença pode contribuir para produzir concreto mais leve.
Outro ponto é a absorção de água. A porosidade dos agregados reciclados interfere na quantidade necessária para obter uma mistura com condições adequadas de aplicação.
A revisão destaca que a resistência à compressão é central para definir possibilidades de uso. Entretanto, outras propriedades também precisam ser consideradas, incluindo o módulo de elasticidade, relacionado ao comportamento mecânico do concreto.
Durabilidade depende de outras verificações
Já uma revisão de Hui Guo e colaboradores, publicada em 2018 na Cement and Concrete Composites e também citada no novo estudo, examina a durabilidade do concreto com agregados reciclados.
Os autores apontam que a qualidade do concreto de origem e a quantidade de argamassa aderida aos agregados influenciam as propriedades do novo material. Na literatura examinada, elevar o teor reciclado e a relação entre água e cimento esteve associado à piora da durabilidade.
O trabalho aborda impermeabilidade, resistência à penetração de cloretos, carbonatação, congelamento e reações envolvendo os agregados. São aspectos que ampliam a avaliação além da resistência inicial.
A revisão também relata possibilidades de melhoria com materiais pozolânicos e tratamentos com dióxido de carbono. Essas estratégias pertencem às pesquisas anteriores analisadas e não comprovam, por si, o desempenho das cinco misturas recém-testadas.
Fonte: Click Petróleo e Gás

