Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), cerca de 90% das empresas da construção civil enfrentam dificuldades para preencher vagas técnicas e reter talentos.
Em um mercado no qual encontrar profissionais qualificados já é um desafio, manter quem conhece os processos, as equipes e a operação passa a ter impacto direto sobre produtividade, continuidade e qualidade das obras.
A retenção, antes encarada como uma responsabilidade exclusiva do RH, passa a envolver também engenharia, gestão e operação. Salário e benefícios continuam entre os fatores de decisão, mas aspectos como possibilidade de desenvolvimento, reconhecimento profissional, segurança, organização do ambiente de trabalho e acesso a novas tecnologias também podem influenciar a permanência das equipes.
Além disso, a busca po flexibilidade nas relações de trabalho, incluindo jornadas mais adaptáveis e modelos que favoreçam o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, ganha relevância entre os trabalhadores, exigindo que as empresas repensem suas práticas de gestão e organização das equipes.
“O profissional que já conhece os processos e tem experiência prática representa um conhecimento que foi construído no dia a dia. Quando ele deixa a empresa, existe um impacto que vai além da reposição daquela vaga, porque também é preciso considerar o tempo de adaptação e a transferência desse conhecimento. Esse cenário também evidencia os desafios relacionados à sucessão profissional, já que poucas empresas conseguem estruturar ambientes que sejam, ao mesmo tempo, saudáveis, competitivos e capazes de desenvolver novos talentos. Investir na formação de futuras lideranças e na transmissão do conhecimento entre gerações é fundamental para garantir a continuidade das operações e preparar as equipes para os desafios do setor”, afirma Isaías Colombiano, gerente executivo de Recursos Humanos da Viapol, empresas brasileira especializada em soluções para a construção civil.
A capacitação aparece não apenas como uma forma de preparar novos profissionais, mas também como uma estratégia para manter talentos.
Oferecer oportunidades de aprendizado e contato com novas soluções, afirma Colombiano, pode contribuir para que trabalhadores enxerguem perspectivas de desenvolvimento dentro da própria empresa.
Na construção civil, onde novos materiais, sistemas e tecnologias chegam constantemente aos canteiros, esse processo também ajuda a aproximar a evolução técnica das equipes que estão na operação.
“Capacitar o profissional mostra que existe investimento no desenvolvimento dele e, ao mesmo tempo, prepara a equipe para acompanhar as mudanças do setor. É uma relação que beneficia tanto a empresa, que ganha em produtividade e conhecimento, quanto o profissional, que amplia suas competências”, explica Isaías.
A própria tecnologia pode fazer parte dessa estratégia. Além de contribuir para produtividade e padronização, ferramentas digitais, novos sistemas construtivos e soluções que reduzem atividades repetitivas podem transformar a experiência de trabalho.
Para o setor, comenta o executivo, a discussão passa a ser tanto sobre como fazer mais com menos pessoas, quanto sobre como criar condições para que profissionais qualificados permaneçam e evoluam dentro das empresas.
“A construção civil está incorporando novas tecnologias e isso também muda o perfil das equipes. Criar oportunidades para que os profissionais aprendam e participem dessa transformação é uma forma de valorizar esse conhecimento e preparar as pessoas para o futuro do setor”, conclui o executivo.
Fonte: Revista Grandes Construções

