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Vendas de cimento têm leve retração em maio

por Blog do Canal

As vendas de cimento em maio de 2026 totalizaram 5,7 milhões de toneladas, registrando uma queda de 1,0% em relação ao mesmo mês de 2025, de acordo com o Sindicato Nacional da Indústria de Cimento (SNIC).

No acumulado dos primeiros cinco meses do ano, o setor apresentou um crescimento de 1,2% frente ao ano passado.

O volume de vendas de cimento por dia útil, um indicador-chave de performance, registrou 254 mil toneladas, uma alta de 4,4% em comparação ao mês de abril e de 3,5% ante o mesmo mês de 2025. No acumulado do ano (jan-maio), o desempenho registra elevação de 2,2%.

O resultado segue sustentado pelo mercado de trabalho aquecido e pelo mercado imobiliário, fortemente impulsionado pelo programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV).

Além disso, a aceleração dos projetos rodoviários em pavimento rígido, aliada ao desenvolvimento de tecnologias para implantação de ruas e avenidas em concreto, vem se constituindo como importante vetor de demanda do cimento. Apesar da resiliência nas vendas, a indústria enfrenta um cenário desafiador de juros altos (Selic), inflação e forte pressão nos custos gerada pela instabilidade no Oriente Médio.

A conjuntura econômica nacional reflete esse desempenho. A taxa de desemprego fechou em 5,8% em abril, o menor patamar para o mês desde 2012, mantendo a massa salarial estável e próxima do seu maior nível histórico, mesmo com uma ligeira queda nos rendimentos.

Apesar desse cenário positivo, a confiança do consumidor caiu em maio, refletindo um movimento de acomodação após dois meses de alta, com as famílias de renda mais baixa sinalizando uma pior expectativa para o futuro.

A taxa de informalidade apresentou estabilidade em 37,2%. Por outro lado, a geração de empregos formais decepcionou e acendeu um alerta, registrando o pior resultado para o mês de abril desde 2021.

No mercado imobiliário, as vendas subiram 4,1% no primeiro trimestre, impulsionadas pelo MCMV, que registrou um salto de 10% no período e já representa 49% dos lançamentos do setor.

O aporte de R$ 20 bilhões, provenientes do Pré-sal, permitiu ao governo elevar a meta para 3 milhões de moradias contratadas até o final de 2026. Em paralelo, o programa de reformas de casas também foi ampliado, com um aumento de crédito para R$ 50 mil e redução da taxa de juros para 0,99% ao mês.

O cenário macroeconômico continua inspirando cautela. As expectativas de inflação seguem crescendo e, somadas às incertezas externas e aos custos do petróleo, fizeram o mercado elevar a projeção da taxa Selic no fim do ano para 13,50%.

A confiança da construção civil ficou estável em maio, embora o segmento de edificações tenha se mostrado mais pessimista diante da falta de mão de obra e da pressão de custos.

Já a confiança da indústria voltou a crescer em maio, impulsionada por uma melhora na demanda e pela normalização dos estoques após o susto inicial com a guerra no Oriente Médio, embora o ambiente permaneça incerto e vulnerável aos desarranjos na cadeia de produção.

Já no varejo, o cenário também é de retração. Em abril, as vendas de materiais de construção recuaram 4,9%. Essa queda evidencia um gargalo persistente: a restrição ao consumo e crédito.

Com o endividamento comprometendo 49,8% da renda das famílias, a inadimplência bateu recorde histórico e hoje afeta 83,3 milhões de brasileiros. Esse quadro tem sido agravado pelo avanço acelerado das apostas on-line (bets), que subtraíram R$ 143,8 bilhões do comércio varejista nos últimos dois anos e arrastaram 269 mil famílias para a inadimplência.

Por fim, o setor se mantém apreensivo em relação às diretrizes do Novo Desenrola, que continua estimulando o uso de recursos do FGTS para a quitação de dívidas. A medida evidencia o desvio da função primordial do fundo, que foi estruturalmente criado para financiar o acesso à moradia.

“O setor convive com sinais mistos. Por um lado, é inegável que o aquecimento no mercado de trabalho e as atualizações nos programas habitacionais são alicerces para os resultados positivos. Contudo, lidamos com um cenário negativo de uma menor queda para a Selic e a alta na inflação, acentuado pela instabilidade no Oriente Médio. Ademais, a indústria acompanha com atenção a votação do projeto que propõe o fim da jornada na escala 6×1, uma vez que essa possível alteração trabalhista tem potencial para onerar fortemente os custos de operação da indústria”, afirma Paulo Camillo Penna, presidente do SNIC.

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