Quem pensa em levantar uma edícula de 30 m² no fundo do lote costuma começar pela pergunta mais simples: quanto custa o metro quadrado. A resposta oficial existe e é atualizada todo mês pelos sindicatos da construção civil de cada estado, no índice chamado CUB, ou Custo Unitário Básico, criado pela Lei Federal 4.591 de 1964 e calculado conforme a norma técnica NBR 12.721 da ABNT.
O dado mais recente disponível é o de julho de 2026, divulgado pelo Sinduscon do Rio Grande do Sul em 3 de agosto. No padrão residencial unifamiliar de acabamento baixo, o R1-B, o custo ficou em R$ 2.557,10 por metro quadrado. Multiplicando por 30 metros quadrados, chega-se a R$ 76.713. O problema é que esse número é um piso, não um total, e o motivo está escrito no próprio boletim.
O que o CUB mede e o que ele deixa de fora
O CUB é um custo técnico de execução calculado sobre projetos padronizados pela norma. Ele reúne materiais, mão de obra, despesas administrativas e equipamentos, e serve como referência para orçamento, análise de viabilidade e indexação de contratos.
A lista de exclusões, porém, é longa e vem impressa em todos os boletins mensais. Ficam de fora fundações, submuramentos, paredes-diafragma, tirantes e rebaixamento de lençol freático. Também não entram equipamentos e instalações como aquecedores, bombas de recalque, ar-condicionado, ventilação e exaustão. Estão excluídos ainda obras e serviços complementares, urbanização e ajardinamento, impostos, taxas e emolumentos cartoriais, projetos arquitetônico, estrutural e de instalações, além da remuneração do construtor e do incorporador. Fundação, o primeiro item de qualquer obra, não está na conta do CUB.
O metro quadrado em três estados
Comparando o mesmo padrão R1-B, que é o mais próximo do acabamento simples esperado numa edícula, os valores mudam bastante conforme o estado.
No Rio Grande do Sul, em julho de 2026, o R1-B está em R$ 2.557,10 por metro quadrado, conforme o boletim oficial do Sinduscon-RS. Em Santa Catarina, o mesmo padrão aparece em R$ 2.818,65 em maio de 2026, e em São Paulo, em R$ 2.064,61 no mesmo mês, segundo compilação publicada pela Sienge. Aplicando cada valor aos 30 metros quadrados, a conta fica assim: R$ 61.938 em São Paulo, R$ 76.713 no Rio Grande do Sul e R$ 84.559 em Santa Catarina.
A diferença entre a ponta mais barata e a mais cara passa de R$ 22 mil na mesma metragem, o que equivale a cerca de 36% a mais. Vale registrar que Santa Catarina adota como indicador principal a média de todas as categorias residenciais, que em julho de 2026 estava em R$ 3.121,62 por metro quadrado, número mais alto porque incorpora padrões superiores ao R1-B.
Por que 30 m² custam mais por metro quadrado
Há uma armadilha na multiplicação direta. O projeto padrão usado para calcular o R1 é uma casa de 106 metros quadrados, com dois dormitórios, banheiro, sala, cozinha e área de serviço. Uma edícula de 30 metros quadrados não tem essa proporção.
Obras pequenas concentram custo. Banheiro, ponto de água, ponto de esgoto, quadro elétrico e cobertura existem tanto em 30 quanto em 106 metros quadrados, e num espaço menor esses itens pesam muito mais por metro. Quanto menor a área, maior tende a ser o custo unitário, e por isso orçamentos técnicos aplicam coeficientes de ajuste em vez de multiplicar o índice direto. Quem contrata construtora ainda precisa somar o BDI, sigla para benefícios e despesas indiretas, que cobre administração, seguros, impostos e lucro. Em obras residenciais privadas, essa margem costuma variar entre 20% e 28%, segundo referência publicada pelo portal Korvi.
Quanto custa cada material hoje
O boletim do Sinduscon-RS publica também o preço médio dos insumos, e são esses números que formam o índice. Serve como parâmetro para quem vai comprar material por conta própria.
Entre os itens básicos, o cimento CP-32 II está a R$ 0,97 o quilo, o tijolo de 9 por 19 por 19 centímetros a R$ 1,26 a unidade e o bloco de concreto sem função estrutural a R$ 6,70. A areia lavada sai a R$ 141,70 o metro cúbico e a brita número 2 a R$ 146,16. O concreto usinado fck 25 MPa está em R$ 964,30 o metro cúbico e o aço CA-50 de 10 milímetros a R$ 8,35 o quilo. Na cobertura, a telha de fibrocimento ondulada de 6 milímetros custa R$ 25,68 o metro quadrado. Nos acabamentos, a bacia sanitária com caixa acoplada aparece a R$ 549,62, a porta lisa para pintura a R$ 223,36, o azulejo de 30 por 40 a R$ 34,78 o metro quadrado e a tinta látex PVA a R$ 45,79 o litro.
Quanto custa a hora de quem constrói
O mesmo boletim traz os salários médios por hora no Rio Grande do Sul em julho de 2026, sem encargos sociais, bonificações e outras despesas. É o outro lado da conta, e ele pesa quase tanto quanto o material.
O pedreiro está em R$ 11,84 a hora e o servente em R$ 9,10. O carpinteiro aparece a R$ 11,68 e o pintor a R$ 11,32. Nas instalações, o eletricista oficial custa R$ 11,23 a hora e o instalador hidráulico oficial R$ 12,08. O mestre de obras tem média de R$ 35,56 e o engenheiro, R$ 68,33. Na composição do R1-B, os materiais respondem por 48,25% do custo e a mão de obra por 43,46%, com 7,64% de despesas administrativas e 0,64% de equipamentos. Ou seja, é praticamente meio a meio.
O que mais encareceu em doze meses
Nem tudo subiu no mesmo ritmo, e algumas altas explicam por que orçamentos antigos ficaram defasados. Entre os insumos acompanhados, a esquadria de correr em alumínio acumula alta de 25% em doze meses e o tubo de PVC rígido para esgoto de 150 milímetros, 20,94%.
Também chamam atenção o fio de cobre antichama de 2,5 milímetros quadrados, com 18,49%, a placa cerâmica com 17,46%, o concreto fck 25 com 15,25% e a brita número 2 com 12,36%. No mesmo período, o CUB do padrão R1-B no Rio Grande do Sul subiu 7,24%, e o R1 de padrão alto, 10,05%. Materiais de instalação elétrica e hidráulica, portanto, pressionaram mais do que a média do índice, e são justamente itens que uma edícula com banheiro e cozinha exige.
O número que só um profissional pode dar
Vale ser direto sobre o alcance desta conta. Os valores apresentados aqui são o resultado da multiplicação do índice oficial pela metragem, e não substituem orçamento. O CUB é referência estatística de projeto padronizado, não previsão de custo de uma obra específica.
Para chegar ao valor real de uma edícula de 30 m² é necessário projeto, sondagem do terreno quando o solo exigir, definição do tipo de fundação, memorial descritivo e orçamento assinado por engenheiro ou arquiteto. Há ainda a etapa que nenhum índice cobre: consultar a prefeitura sobre taxa de ocupação, recuos e necessidade de alvará, regras que variam de município para município e podem inviabilizar a construção no fundo do lote antes mesmo de o primeiro tijolo ser comprado.
Uma edícula de 30 metros quadrados na faixa dos R$ 62 mil a R$ 85 mil apenas em custo de execução, sem fundação, projeto e taxas, coloca o proprietário diante de uma escolha que ficou comum: construir em alvenaria ou apostar em soluções pré-fabricadas e modulares.
Conta nos comentários: quem já construiu uma edícula, quanto saiu no fim e quanto passou do orçamento inicial? E na sua cidade, a prefeitura complica ou facilita a aprovação de construção nos fundos do lote?
Fonte: Click Petróleo e Gás