Erguendo o que vai ser o maior arranha-céu residencial do planeta em Balneário Camboriú, a FG Empreendimentos faturou R$ 1,36 bilhão em 2025, com uma receita baseada em escassez de terrenos na orla, conceito de lifestyle de luxo e financiamento próprio aos compradores. Agora, a construtora catarinense inaugurou um escritório em Miami, nos Estados Unidos, e prepara operações futuras na Europa e na Ásia, num movimento de venda do alto padrão brasileiro para o exterior.
Os números foram apresentados pela própria empresa em evento realizado em maio de 2026, no centro de eventos Ocean Place, em Balneário Camboriú, para o encerramento de sua campanha comercial e para a divulgação das metas dos próximos anos. Além do crescimento de receita, a FG também registrou lucro líquido de R$ 503 milhões em 2025 e diz ter alcançado mais de 60% de participação no segmento de alto padrão em que atua na cidade.
O projeto que vai chegar a 550 metros
A torre vai ter cerca de 550 metros de altura e 157 andares, superando outros gigantes do segmento, como o Central Park Tower, em Nova York, com 472 metros, e o Marina 101, em Dubai, com 435 metros. A previsão de entrega é em 2033, e atualmente o empreendimento está nas fases iniciais de construção.
O empreendimento terá 228 unidades, com áreas que vão de cerca de 400 metros quadrados a megacoberturas triplex de 903 metros quadrados, e preços que variam aproximadamente entre R$ 28 milhões e R$ 300 milhões por apartamento, segundo divulgação da própria construtora. O Valor Geral de Vendas estimado chega a R$ 8,5 bilhões, e a torre é desenvolvida em parceria com a marca Senna, ligada à família do tricampeão de Fórmula 1, e com a rede varejista Havan.
A sociedade com a Havan e o terreno na orla
A força do projeto se explica em parte pela sociedade que está por trás dele. Segundo informações divulgadas em reportagens locais, o terreno do Senna Tower, localizado em uma área nobre da orla de Balneário Camboriú, foi adquirido em parceria entre o empresário Francisco Graciola, controlador da FG, e o bilionário catarinense Luciano Hang, dono da Havan. A operação aproximou ainda mais dois nomes de peso do empresariado de Santa Catarina.
O próprio Hang costuma usar suas redes sociais para divulgar detalhes do empreendimento e o trata como um marco da engenharia mundial. Para o varejo de luxo brasileiro, a presença da marca Havan e da família Senna no projeto contribui para o apelo internacional do produto, ainda que o caráter de obra-prima global precise ser avaliado, na prática, ao longo dos próximos anos, conforme a torre for de fato sendo erguida.
A “fórmula” de escassez e financiamento próprio
O primeiro é a escassez: a empresa explora o fato de Balneário Camboriú ter pouquíssimos terrenos disponíveis na orla, transformando cada novo lançamento em uma espécie de produto raro, com forte percepção de exclusividade. O segundo é o conceito de lifestyle, em que os imóveis são vendidos não apenas como moradia ou investimento, mas como parte de um estilo de vida de alto padrão.
O terceiro pilar é o financiamento direto ao comprador. Mais de 90% das transações da construtora ocorrem sem a intermediação de bancos tradicionais, com prazos e condições definidos pela própria FG. Esse modelo aproxima a empresa de uma operação financeira, complementada por uma rede ampla de corretores parceiros, campanhas de incentivo, eventos exclusivos e pré-lançamentos, o que ajuda a explicar o salto de 36% no primeiro quadrimestre de 2026.
Balneário Camboriú no mapa global do luxo
A cidade catarinense vem se consolidando como um dos polos imobiliários mais valorizados do país, num movimento que extrapola o turismo tradicional. Para uma parte dos investidores, comprar imóvel em Balneário Camboriú passou a ser visto como uma forma de proteção do patrimônio, alternativa ao mercado financeiro, sustentada pelo metro quadrado entre os mais caros do Brasil e por uma escassez de área frente-mar que tende a se intensificar.
Há, no entanto, outro lado dessa história que costuma aparecer pouco em apresentações corporativas. O ritmo intenso de construção de arranha-céus na orla já gera debates sobre efeitos urbanísticos, custo de vida, sombreamento na faixa de areia e gentrificação. Esses pontos não anulam o sucesso comercial das construtoras, mas mostram que o avanço do mercado de luxo na cidade tem implicações sociais e ambientais que extrapolam o balanço financeiro das empresas.
De Balneário para Miami
O passo internacional mais recente da FG é a abertura de um escritório em Miami, nos Estados Unidos, com objetivo de captar investidores estrangeiros interessados em ativos imobiliários brasileiros de alto padrão. A estratégia, segundo a empresa, não é só vender mais unidades fora do país, mas também conectar capital global a uma carteira de empreendimentos vendidos como ícones de luxo.
A construtora também usa eventos internacionais, como etapas do automobilismo mundial, para reunir clientes em ambientes de alto padrão, em ações que misturam marketing, hospitalidade e relacionamento. O modelo se inspira em marcas globais de luxo, que vendem mais do que produtos, ofertando experiências e pertencimento a um circuito restrito de consumidores de alta renda.
O que pode dar certo e o que pode dar errado
Pelo lado positivo, o modelo da FG demonstrou resultados sólidos. A empresa não só cresceu em receita, lucro e participação de mercado, como conseguiu posicionar uma cidade do litoral catarinense no radar de investidores de várias regiões do Brasil e, agora, também do exterior. O fato de mais de 60% dos compradores serem clientes novos sugere que a base de potenciais investidores ainda está em expansão.
Pelo lado dos riscos, projetos de longa maturação, como o Senna Tower, com entrega prevista para 2033, dependem de uma série de fatores ao longo de quase uma década, como condições macroeconômicas, juros, câmbio, eventuais mudanças regulatórias e sustentação da demanda por imóveis de luxo. Manter o ritmo bilionário de vendas em um cenário tão longo e em um mercado concentrado em uma única cidade é, em si, um desafio que merece acompanhamento ao longo do tempo.
O caso da FG Empreendimentos mostra como uma construtora catarinense conseguiu transformar Balneário Camboriú em vitrine de uma estratégia de luxo que vai do terreno na orla ao escritório em Miami. Entre números bilionários e o futuro arranha-céu mais alto do mundo, há uma combinação ousada de escassez, marketing e crédito próprio que vem dando resultado. Resta acompanhar como essa fórmula se sustenta nos próximos anos, em meio a um cenário econômico instável e a um debate cada vez maior sobre os impactos urbanos do crescimento vertical na cidade
Fonte: Click Petroléo e Gás