Imagine desembarcar de um voo de 12 horas e, em vez de corredores cinzas e filas de imigração, encontrar uma floresta tropical com uma cachoeira de 40 metros. Isso é o Jewel Changi, em Singapura.
Inaugurado em abril de 2019, o complexo fica no coração do Aeroporto de Changi, conectando três terminais.
São 135.700 metros quadrados distribuídos em 5 andares acima do solo e 5 abaixo.
No centro de tudo, a Rain Vortex: a maior cachoeira indoor do planeta.
A água cai do topo do domo de vidro e aço, atravessa 7 andares e desaparece no subsolo.
À noite, luzes e projeções transformam a cachoeira em um espetáculo de som e luz.
O projeto custou US$ 1,7 bilhão e foi desenhado pelo arquiteto israelense-canadense Moshe Safdie.
Uma floresta de 2 mil árvores dentro de um aeroporto
Ao redor da cachoeira, o Forest Valley abriga mais de 2 mil árvores e palmeiras.
São espécies de florestas tropicais da Ásia, América do Sul e África.
Os visitantes caminham por trilhas entre as árvores, sobem escadas entre as copas e passam por pontes suspensas.
Esqueça que você está em um aeroporto. Parece um parque nacional com ar-condicionado.
No último andar, o Canopy Park oferece redes suspensas entre as árvores, escorregadores, labirintos de espelhos e um jardim de topiaria.
Crianças brincam. Passageiros em conexão descansam na grama. Moradores de Singapura vão ao aeroporto só para passear.
A engenharia por trás da cachoeira de 40 metros
A Rain Vortex não é apenas decorativa. Ela faz parte do sistema de coleta de água da chuva do edifício.
O teto em formato de anel, com 200 metros de diâmetro, direciona toda a água da chuva para o centro.
A água é filtrada e reutilizada para irrigar os jardins e resfriar o edifício.
Em dias de chuva forte, a vazão da cachoeira aumenta naturalmente.
O domo de vidro e aço foi fabricado com 9 mil painéis individuais, cada um com formato único.
A estrutura é autoportante, não tem colunas internas sustentando o teto.
Por que Singapura colocou uma floresta dentro do aeroporto
Singapura é uma cidade-estado minúscula: 733 quilômetros quadrados, menor que muitos municípios brasileiros.
Espaço para parques e florestas é escasso.
A solução foi integrar natureza à infraestrutura urbana.
O Jewel não é só um aeroporto com plantas. É um parque público que por acaso tem portões de embarque.
Moradores vão jantar lá, fazer compras, brincar com os filhos.
O aeroporto de Changi é consistentemente eleito o melhor do mundo há mais de uma década.
O Jewel é a razão pela qual passageiros escolhem fazer conexão em Singapura mesmo quando não é a rota mais curta.
Mais de 280 lojas, restaurantes e um cinema IMAX
O Jewel não vive só de natureza.
São 280 lojas e restaurantes espalhados pelos 5 andares.
Tem desde marcas de luxo até comida de rua singapurense.
Há um cinema IMAX, um hotel dentro do complexo e um supermercado 24 horas.
O conceito é que ninguém precisa sair do aeroporto para nada.
Passageiros com conexão de 6 horas não ficam entediados. Ficam ocupados demais.
O que o Jewel ensina para outros aeroportos
Aeroportos costumam ser sinônimo de tédio, filas e comida cara.
Singapura provou que não precisa ser assim.
O investimento de US$ 1,7 bilhão se paga em turismo, comércio e reputação.
Outros aeroportos estão tentando copiar: Istambul tem jardins, Doha tem esculturas, Tóquio tem onsens.
Mas nenhum tem uma cachoeira de 40 metros no meio de uma floresta tropical.
Singapura transformou a experiência mais chata do mundo, esperar voo, na mais bonita.
Fonte: Click Petróleo e Gás