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A importância do reaproveitamento de resíduos na obra

A gestão de resíduos na construção civil se tornou um dos principais desafios ambientais do segmento. O volume gerado nas obras é expressivo e exige atenção para evitar desperdícios e reduzir o impacto ambiental.

Segundo o Panorama da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (ABREMA) 2025, com dados de 2024, o Brasil gerou cerca de 81,6 milhões de toneladas de Resíduos Sólidos Urbanos, dos quais aproximadamente 60% tiveram destinação adequada em aterros sanitários, enquanto cerca de 40% ainda seguem para destinações inadequadas, como lixões e aterros controlados.

Esse cenário reforça a urgência de adotar práticas mais eficientes para reduzir a geração de resíduos e ampliar o reaproveitamento dos materiais presentes no canteiro de obras.

O reaproveitamento de resíduos começa com um processo simples, mas decisivo, que envolve organização e planejamento. A triagem adequada permite identificar o que pode ser reutilizado, como sobras de concreto, argamassa, madeira, embalagens e outros materiais recicláveis.

Quando bem estruturado, esse processo reduz custos, diminui a necessidade de envio de entulho para aterros e cria uma rotina de obra mais limpa e produtiva, na qual todos saem ganhando.

Para a indústria, esse movimento está diretamente ligado ao desenvolvimento de soluções que ajudam a reduzir perdas e tornar o canteiro mais eficiente.

“A sustentabilidade na construção passa pelo cuidado com os resíduos. É preciso pensar no ciclo completo dos materiais e encontrar formas reais de aproveitar o que antes era descartado”, afirma Jorge Lima, Diretor Técnico Comercial da Viapol. De acordo com Lima, a colaboração entre os diferentes participantes que compõem o setor é fundamental para criar rotinas que favoreçam o reaproveitamento.

Algumas iniciativas já mostram que o reaproveitamento gera resultados quando é tratado com seriedade. A reciclagem de restos de concreto e argamassa, por exemplo, pode ser aplicada na pavimentação e na preparação de canteiros, gerando economia direta sem comprometer a qualidade técnica.

Lima ainda destaca que o principal avanço depende de uma mudança de cultura. “O reaproveitamento precisa fazer parte do planejamento. A exemplo do que fazemos, onde às rebarbas de mantas e fitas retornam como matéria-prima para o processo produtivo. Quando o tema entra na rotina desde o início em qualquer processo produtivo, fica claro que é possível reduzir perdas e ganhar eficiência”, afirma Lima.

Portanto, com o aumento da busca e da necessidade por práticas construtivas mais responsáveis, o reaproveitamento de resíduos se consolida como uma das ações mais eficientes e de aplicação imediata. A prática reduz impactos, otimiza o uso de recursos e fortalece a construção de obras mais organizadas, econômicas e alinhadas às exigências atuais do setor.

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